Hipotrocoides e epitrocoides · engrenagens e dentes

Espirógrafo

Um espirógrafo desenha com uma caneta presa numa roda dentada que rola à volta de um anel dentado. Após um número de dentes igual ao mínimo múltiplo comum das duas contagens, os mesmos dois dentes voltam a encontrar-se e o desenho recomeça.

Os espirógrafos nesta visualização

Num espirógrafo, uma roda com rr dentes rola por dentro ou por fora de uma coroa fixa com RR dentes, engrenando dente a dente. Uma caneta na roda, à distância d=ρrd = \rho r do seu centro, vai desenhando. Os dentes das duas engrenagens têm o mesmo espaçamento, pelo que, numa unidade adequada, os seus raios são RR e rr. Quando ρ=1\rho = 1, a caneta está no bordo; acima de 1, fica num braço que se prolonga para fora da roda. Aqui podes contar os dentes que determinam um padrão, mover a caneta para perceber como surgem as pontas e os laços, e guardar os padrões como camadas.

A linha ténue mostra todo o padrão que a caneta irá traçar. A cor varia ao longo do período do padrão, pelo que um trecho que volta a ser traçado mantém a sua cor.

As engrenagens regressam à posição inicial quando os mesmos dois dentes voltam a encontrar-se. Para isso, é preciso percorrer um número de dentes que corresponda a um número inteiro de voltas de cada engrenagem. O primeiro número que satisfaz esta condição é o seu mínimo múltiplo comum. Com g=gcd⁡(R,r)g = \gcd(R, r),

L=lcm⁡(R,r)=Rrg,peˊtalas=Lr=Rg,voltas=LR=rg.L = \operatorname{lcm}(R, r) = \frac{Rr}{g}, \qquad \text{pétalas} = \frac{L}{r} = \frac{R}{g}, \qquad \text{voltas} = \frac{L}{R} = \frac{r}{g} \text{.}

Cada rr dentes percorridos traçam uma pétala, um trecho que não tem de ser um laço fechado, e cada RR dentes completam uma volta à coroa fixa. Com a caneta no centro, o padrão é apenas uma circunferência, concluída ao fim de uma volta. O número de pétalas depende, portanto, do divisor comum, não do tamanho da roda: 96 e 36 dentes dão 8 pétalas; 96 e 35 dão 96. O pequeno diagrama acompanha os dentes que se encontram, os da coroa na horizontal e os da roda na vertical. As suas marcas, espaçadas de gg, assinalam o início das pétalas.

A roda não pode deslizar: em cada instante, o ponto de contacto com a coroa está parado e a roda gira à sua volta. A caneta move-se, por isso, perpendicularmente ao segmento que a une ao ponto de contacto, a uma velocidade proporcional ao comprimento desse segmento. Braços mostra o segmento e o vetor velocidade da caneta. Com a caneta dentro do bordo, o segmento nunca se reduz a zero, pelo que a caneta nunca para e o padrão não tem pontas. No bordo, a caneta chega ao ponto de contacto e para uma vez por pétala, formando uma ponta, exceto no caso retilíneo descrito abaixo. Para lá do bordo, uma vez por pétala, a caneta percorre um trecho no sentido oposto ao avanço da roda, o que geralmente abre cada ponta num laço.

Seja θ o ângulo percorrido pelo centro da roda à volta da coroa. A posição da caneta, expressa como número complexo, é

por dentro: z=(R−r) eiθ+d e−iR−rrθ,por fora: z=(R+r) eiθ−d eiR+rrθ.\text{por dentro: } z = (R - r)\,e^{i\theta} + d\,e^{-i\frac{R - r}{r}\theta}, \qquad \text{por fora: } z = (R + r)\,e^{i\theta} - d\,e^{i\frac{R + r}{r}\theta} \text{.}

São dois braços unidos pelas extremidades, cada um a girar com velocidade angular constante: um vai do centro da coroa ao centro da roda; o outro, de comprimento dd, vai do centro da roda à caneta.

Algumas configurações dão curvas com nome próprio. Com a caneta no bordo, o rolamento interior traça uma hipocicloide: uma deltoide para uma razão de 3 : 1 e uma astroide para 4 : 1. O rolamento exterior traça uma epicicloide, que é uma cardioide quando as engrenagens são iguais. No interior, uma roda com metade do tamanho da coroa faz os dois braços girarem à mesma velocidade em sentidos opostos. Assim, uma caneta dentro do bordo traça uma elipse e uma caneta no bordo percorre um diâmetro: o par de Tusi.

Estas curvas chamam-se hipotrocoides e epitrocoides. O engenheiro britânico Denys Fisher desenvolveu o brinquedo Spirograph na década de 1960.

O que observar

  • Nos estilos luminosos, uma coloração mais intensa não significa mais tinta. A caneta passou mais devagar por esses pontos, ou há linhas que se cruzam; é por isso que a coloração é mais intensa perto das pontas.

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