Equações diferenciais · Equações de Lotka–Volterra

Equações de Lotka–Volterra

As equações de Lotka–Volterra modelam uma população de presas e outra de predadores: as presas reproduzem-se por si e são comidas; os predadores aumentam ao comê-las e, sem elas, acabam por morrer. As populações sobem e descem em ciclos em torno de um ponto de equilíbrio.

As equações de Lotka–Volterra nesta visualização

Aqui, xx é o número de presas e yy o de predadores, ambos em milhares. Cada população varia a uma taxa por indivíduo: as presas crescem à taxa α\alpha e são comidas a uma taxa proporcional ao número de predadores; estes morrem à taxa γ\gamma e crescem em proporção ao número de presas. O plano de fase acompanha o ponto (x,y)(x, y) a partir do início escolhido, e o gráfico temporal em baixo traça os dois números ano após ano.

O modelo sem pesca nem limite
x′=x(α−βy),y′=y(δx−γ)x' = x(\alpha - \beta y), \qquad y' = y(\delta x - \gamma)

A taxa das presas α−βy\alpha - \beta y é zero na reta y=α/βy = \alpha/\beta, e a dos predadores δx−γ\delta x - \gamma é zero na reta x=γ/δx = \gamma/\delta. Estas linhas tracejadas de crescimento nulo cruzam-se no ponto de equilíbrio (x∗,y∗)=(γ/δ,α/β)(x^*, y^*) = (\gamma/\delta, \alpha/\beta) e dividem o plano em quatro regiões. Abaixo de y∗y^*, as presas aumentam; acima, diminuem. À direita de x∗x^*, os predadores aumentam; à esquerda, diminuem. Por isso, a trajetória gira no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. Os predadores atingem o pico quando deixam de crescer, no momento em que as presas voltaram a descer até x∗x^*, depois do seu próprio pico. Esse intervalo é o atraso apresentado na leitura.

Dar a volta não basta para regressar ao início: uma espiral também dá voltas. O que fecha a trajetória é uma quantidade que se mantém constante ao longo de cada solução: V=δx−γln⁡x+βy−αln⁡y,V′=(δx−γ)(α−βy)+(βy−α)(δx−γ)=0.\begin{aligned} V &= \delta x - \gamma \ln x + \beta y - \alpha \ln y, \\ V' &= (\delta x - \gamma)(\alpha - \beta y) + (\beta y - \alpha)(\delta x - \gamma) = 0. \end{aligned} Cada nível de VV acima do seu mínimo é uma curva fechada em torno do ponto de equilíbrio. A trajetória segue-a até ao início e repete-se. Com o limite KK, a elevada densidade abranda o crescimento das presas e VV deixa de ser constante. No exemplo com limite, a trajetória aproxima-se do equilíbrio em espiral, em vez de se fechar.

Por maiores que sejam as oscilações, a média de cada ciclo completo coincide exatamente com o ponto de equilíbrio. Dividir a equação dos predadores por yy dá (ln⁡y)′=δx−γ(\ln y)' = \delta x - \gamma. Ao fim de um ciclo, yy volta ao valor inicial, pelo que o integral é 0 e a média de xx é γ/δ=x∗\gamma/\delta = x^*. A equação das presas dá, da mesma forma, a média de yy, que é α/β=y∗\alpha/\beta = y^*. Oscilações maiores alteram os extremos e o período, mas não as médias.

Pescar continuamente ambas as populações à mesma taxa por indivíduo ε\varepsilon transforma α\alpha em α−ε\alpha - \varepsilon e γ\gamma em γ+ε\gamma + \varepsilon. Sem o limite, o ponto de equilíbrio desloca-se para x∗=(γ+ε)/δx^* = (\gamma + \varepsilon)/\delta, y∗=(α−ε)/βy^* = (\alpha - \varepsilon)/\beta: mais presas em média, menos predadores. A média das presas é a quantidade que permite equilibrar exatamente os ganhos e as perdas dos predadores. Por isso, aumenta quando a pesca faz os predadores morrerem mais depressa.

Aspetos a observar

  • Nas equações, uma população pode aproximar-se muito de 0, mas nunca o atinge. Uma população real tão pequena pode extinguir-se.
  • Os coeficientes e as unidades são ilustrativos, não foram ajustados a nenhuma espécie real.

Controlos

  • O início não pode estar num eixo: uma população que começa em 0 permanece em 0.

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