O multiplicador de Lagrange nesta visualização
O problema consiste em encontrar o maior ou menor valor de uma função quando o ponto não é livre, mas tem de permanecer numa curva: a restrição . O método dos multiplicadores de Lagrange indica onde procurar. Suponhamos que e têm primeiras derivadas parciais contínuas perto de um ponto P da curva, que restrita à curva tem um máximo ou mínimo local em P e que . Então existe um número , o multiplicador de Lagrange, tal que
São três equações para x, y e . As soluções são candidatos, não respostas: cada uma ainda tem de ser verificada, e os pontos onde têm de ser analisados separadamente.
O mapa mostra as curvas de nível de , a curva da restrição a traço grosso e um ponto P sobre ela. Em P, a seta azul é , a seta vazia indica a direção de , e decompõe-se numa componente amarela ao longo da curva e noutra tracejada perpendicular a ela. Sob o mapa, o perfil representa em função da distância percorrida ao longo da curva.
Porque funciona? Ao longo da curva, não muda, pelo que o seu vetor tangente unitário é perpendicular a . Ao percorrer a curva com velocidade unitária, varia à taxa , que é o declive do perfil em P, e a seta amarela é . Num ponto mais alto ou mais baixo do perfil onde , esse declive é zero, pelo que não tem componente ao longo da curva. No plano, um vetor sem componente ao longo da curva é um múltiplo de , logo , com se . Onde a seta amarela não é zero, avançar no seu sentido ainda aumenta , pelo que P não pode ser aí um máximo nem um mínimo.
Se também , a curva de nível de que passa por P é perpendicular a , pelo que tem a mesma tangente que a restrição. Num máximo ou mínimo condicionado, a restrição é tangente a uma curva de nível, em vez de a cortar transversalmente.
tem um significado próprio. Escrevamos para o valor ótimo na curva . Se um ponto que atinge esse valor se desloca de forma suave quando muda, então é a taxa a que o valor ótimo varia:
Na circunferência , o maior valor de é , e nos dois máximos. A janela λ representa em função de com este declive. A taxa depende da forma como se escreve a restrição. Escrita como com , a mesma curva tem metade do multiplicador, porque agora mede a variação por unidade de C. A opção Escrever como 2g mostra-o.
Duas curvas mostram os limites do método. Em , a função dá gradientes paralelos em , mas, ao longo da curva, apenas se torna horizontal nesse ponto e continua a subir. Gradientes paralelos não bastam. Em , o menor valor de ocorre na cúspide , onde e a equação não tem solução. O método não deteta esse ponto, pelo que estes casos têm de ser verificados diretamente.
O perfil revela se um candidato é um máximo, um mínimo ou nenhum dos dois. Sobe e depois desce num máximo local da curva, desce e depois sobe num mínimo local, e continua a subir no candidato da cúbica.
Aspetos a observar
- O sinal de indica se aponta no mesmo sentido que ou no sentido oposto. Nas circunferências, é positivo nos máximos e negativo nos mínimos.
- Ser tangente a uma curva de nível não significa ficar sempre do mesmo lado dela. No ponto candidato, a cúbica é tangente a uma curva de nível e, ainda assim, atravessa-a.